sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

RETOMANDO...CONTEXTUALIZANDO...DE MAQUIAVEL AO TOYOTISMO


Recentemente registrei em uma das postagens que o blog é uma forma de mantermos a mente lúcida; oxigenada e atenta. Nesse sentido gostaria de lembrar que :

A ação mais incisiva da SEEDUC/RJ contra os docentes começou quando diretores e adjuntos receberam aumento em separado da classe (na verdade aumento das gratificações pela função), o que gerou desdobramentos que só confirmaram, por A+B, que ao atacar o ponto que ainda lembrava ao diretor e seu adjunto que eles eram professores (a baixa remuneração), a SEEDUC/RJ criou uma discrepância artificial que possibilitou o “sequestro” dos corações e mentes dos diretores e suas equipes em favor daquilo que estamos vendo solidificar-se cada vez mais na rede pública estadual de educação, cuja a face mais conhecida é a Gestão Empresarial da Escola (adaptada para a sigla GIDE) que prioriza resultados e não o processo.

Ou seja, a ideia de que os índices alcançados como resultados são mais importantes do que os processos e as pessoas, e que tais resultados são inevitavelmente alcançados através de pacotes prontos; e não por soluções baseadas em experiências locais ou outras ações. Fica claro que as metas não dão margem à autonomia escolar e homogeneízam o que é heterogêneo criando classificações baseadas no Quantitativo e não no Qualitativo - Qualitativo que que demanda tempo, investimento continuo e crescente. Aliás, usando a lógica dos 4 anos (ou 48 meses se preferirem) de mandato, tempo é um fator desconsiderado pelos artífices da atual política para educação pública estadual; logo, melhorar os índices estaduais de educação são um imperativo “pra ontem !!!”.

Resumo da ópera, com tempo limitado (48 meses prorrogáveis por mais 48, dependendo do resultado das eleições) o governo adaptou a lógica da chibata (século XIX) aos tempos de do atual neoliberalismo (século XXI); pois importou e implantou uma gestão empresarial nas escolas (um toyotismo deslocado de seu lugar, e justamente por isso tornou-se um toyotismo tosco); rompeu o diálogo com a classe docente; promoveu a cisão da classe (maquiavelismo) estabelecendo diferenças salariais sob o manto falacioso da meritocracia entre os docentes; culpabilizou o professor pelos maus resultados apresentados até então e explora ainda mais o docente ao disseminar o Projeto Autonomia (1 professor para várias disciplinas).


Enquanto isso, o governo acha que paga bem; a maior parte dos colegas acredita nos argumentos da SEEDUC/RJ; a sociedade se omite e nós ficamos “chupando essa manga” sendo taxados por colegas ou (o que é pior) visados pelas direções das U.E.’s. 

Mas, eis que chegam as férias e com elas a possibilidade de frequentar centros culturais, cinemas, museus, estádios, teatros, livrarias, bibliotecas  exposições. No entanto, falta o principal que é o poder aquisitivo; pois os salários defasados impõem restrições levando a uma espécie "frugalidade cultural" por parte do professor.

Bom, todos nós sabemos bem das restrições orçamentárias que os vencimentos atuais ensejam na vida cultural do professor e eu não quero "ensinar padre a rezar missa". O professor vive em meio à cultura; mas segundo a política do governo a nossa vida cultural se resolve com um único bônus cultura pago por ano e com o salário atual.

Finalizando, já escrevi isto algumas vezes aqui no blog e tenho repetido em conversas com outros colegas, que as ações dos gestores da educação que ocupam  SEEDUC/RJ fazem Nicolau Maquiavel parecer um amador, mas ao mesmo tempo elevam o seu pensamento (pensamento maquiavélico) ao status de política de governo ao institucionalizarem a máxima do Dividi et Impera (dividir para conquistar, citada por Maquiavel) no trato com os docentes.

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