sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A NEUTRALIDADE NÃO É UMA OPÇÃO VIÁVEL

Marcar posição não significa - necessariamente - afrontar a direção da escola; a IGT ou a própria SEEDUC/RJ; mas antes apresentar argumentos que sirvam como um contraponto ao que está sendo solidificado como política para educação e para os servidores da área pelo governo estadual. Marcar posição também não significa hostilizar e desrespeitar aquele que pensa diferente, e isto vale para ambas as partes em contenda.

No entanto, cabe uma ressalva direcionada aos docentes: Não há conivência entre a situação como se está e a proposta reflexiva do contraponto; pois o contraponto faz chamamento – entre outras coisas – à ação para transformação da realidade. Logo, não há como ocupar lugar de neutralidade nesse contexto; pois a efetivação/concretização do pensamento único pressupõe a inexistência do pensamento crítico; enquanto que a existência do pensamento crítico gera o contraponto ao pensamento único. Ou seja, são propostas opostas.

Ainda, a posição de neutralidade no contexto atual usufrui das vitórias estabelecidas a duras penas por parte da categoria (com paralisações e greves que reivindicam reajustes salariais e correções de injustiças profissionais com outras categorias da área educacional), bem como não recebe o ônus da tomada de posição, o que favorece a manipulação servindo de canal para a propagação do discurso oficial. Enfim, a neutralidade é cômoda e atende aos interesses individuais (e não da categoria) e do governo.

Entretanto, não sou adepto de uma única frente de luta, pois creio que o docente – por formação intelectual – é capacitado para atuar em múltiplos cenários sociais; compreendê-los; estabelecer ligações entre eles a fim de remetê-los a importância da sua atuação como agente transformador de realidades sociais. Por isso, acredito serem extremamente producentes as ações no campo das novas tecnologias de informação e comunicação; as realizações de encontros entre grupos de docentes ou quaisquer outras atividades mobilizadoras (organizadas ou não pelo sindicato da classe); pois se nada fazemos, seremos diluídos no meio ácido-hostil do pensamento único vigente.

Aparentemente parece uma incoerência pregar a ação em várias frentes, o que pressupõe separação de forças; no entanto apesar da “separação” para a ação, a coesão do propósito “cimenta” a classe e a conscientização catalisa a tomada de atitude (em qualquer frente) impedindo a neutralidade e a efetivação da proposta de cisão na classe.

Por isso tive a ideia de criar o blog, e ele aparece em um cenário em que o governo – por seu tamanho – tem movimentos lentos e seus braços não são tão longos, o que permite dispormos de certa “vantagem competitiva”.

O blog é o nosso elo de contato com o mundo, com pessoas que compartilham dos mesmos valores que nós. O blog não existe por saudosismo ou pela vontade de vivermos uma realidade onírica. Ele é um farol no meio da escuridão que intenciona sinalizar a outros, como nós, que eles não estão sozinhos, e que é possível... Ainda é possível a despeito de todas as dificuldades, ainda é possível.

Então, sejamos como o tubarão que se parar de nadar morre por falta de oxigênio (no nosso caso, se pararmos de lutar por melhorias na educação pública). E se morrermos, tudo isso foi em vão e abdicaremos daquilo em que acreditamos, abdicando de coisas pelas quais buscamos e erigimos como pilares da construção do “eu docente” de cada um de nós.

Finalizando, o blog também é uma forma de mantermos a mente lúcida; oxigenada e atenta.

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