Marcar
posição não significa - necessariamente - afrontar a direção da escola; a IGT
ou a própria SEEDUC/RJ; mas antes apresentar argumentos que sirvam como um
contraponto ao que está sendo solidificado como política para educação e para os
servidores da área pelo governo estadual. Marcar posição também não significa
hostilizar e desrespeitar aquele que pensa diferente, e isto vale para ambas as
partes em contenda.
No
entanto, cabe uma ressalva direcionada aos docentes: Não há conivência entre a
situação como se está e a proposta reflexiva do contraponto; pois o contraponto
faz chamamento – entre outras coisas – à ação para transformação da realidade.
Logo, não há como ocupar lugar de neutralidade nesse contexto; pois a
efetivação/concretização do pensamento único pressupõe a inexistência do
pensamento crítico; enquanto que a existência do pensamento crítico gera o
contraponto ao pensamento único. Ou seja, são propostas opostas.
Ainda, a
posição de neutralidade no contexto atual usufrui das vitórias estabelecidas a
duras penas por parte da categoria (com paralisações e greves que reivindicam
reajustes salariais e correções de injustiças profissionais com outras
categorias da área educacional), bem como não recebe o ônus da tomada de
posição, o que favorece a manipulação servindo de canal para a propagação do
discurso oficial. Enfim, a neutralidade é cômoda e atende aos interesses individuais
(e não da categoria) e do governo.
Entretanto,
não sou adepto de uma única frente de luta, pois creio que o docente – por
formação intelectual – é capacitado para atuar em múltiplos cenários sociais;
compreendê-los; estabelecer ligações entre eles a fim de remetê-los a
importância da sua atuação como agente transformador de realidades sociais. Por
isso, acredito serem extremamente producentes as ações no campo das novas
tecnologias de informação e comunicação; as realizações de encontros entre
grupos de docentes ou quaisquer outras atividades mobilizadoras (organizadas ou
não pelo sindicato da classe); pois se nada fazemos, seremos diluídos no meio
ácido-hostil do pensamento único vigente.
Aparentemente
parece uma incoerência pregar a ação em várias frentes, o que pressupõe
separação de forças; no entanto apesar da “separação” para a ação, a coesão do
propósito “cimenta” a classe e a conscientização catalisa a tomada de atitude
(em qualquer frente) impedindo a neutralidade e a efetivação da proposta de
cisão na classe.
Por isso tive
a ideia de criar o blog, e ele aparece em um cenário em que o governo – por seu
tamanho – tem movimentos lentos e seus braços não são tão longos, o que permite
dispormos de certa “vantagem competitiva”.
O blog é
o nosso elo de contato com o mundo, com pessoas que compartilham dos mesmos
valores que nós. O blog não existe por saudosismo ou pela vontade de vivermos
uma realidade onírica. Ele é um farol no meio da escuridão que intenciona
sinalizar a outros, como nós, que eles não estão sozinhos, e que é possível...
Ainda é possível a despeito de todas as dificuldades, ainda é possível.
Então, sejamos
como o tubarão que se parar de nadar morre por falta de oxigênio (no nosso caso, se pararmos de lutar por melhorias na educação pública). E se morrermos, tudo isso foi em
vão e abdicaremos daquilo em que acreditamos, abdicando de coisas pelas
quais buscamos e erigimos como pilares da construção do “eu docente” de cada um
de nós.
Finalizando, o
blog também é uma forma de mantermos a mente lúcida; oxigenada e atenta.


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