sábado, 25 de agosto de 2012

NO TEMPO DE EMPREGUETES...

Olá pessoal !!!

Estava passeando pela web e, como sempre faço quando tenho tempo, fui dar uma prestigiada nos blog's em que sou seguidor. Em um deles encontrei uma postagem bem legal sobre salário (permitam que eu use o acento, pois estou "coberto" pelo acordo ortográfico até DEZ/2012), pegando um gancho gostaria de fazer um comparativo com a atividade de prestação de serviço de faxina e arrumação, ou seja o serviço de diarista.

Então vejamos:

O valor de uma diária de faxina oscila entre R$80,00 e R$100,00 (para faxina em apartamento/casa (standard) sala; quarto; cozinha e banheiro). Utilizando o valor base de R$80,00 para uma faxina com 6 horas de duração - tendo direito a 1(uma) hora de almoço - , o valor percebido pela diarista será de R$ 13,33 por hora trabalhada. Utilizando o valor de teto (R$100,00) com as mesmas condições o valor atinge R$16,66 por hora trabalhada. Sabemos que é R$15,64 a hora/aula do professor da rede estadual pública. Então...

...Procedendo com a comparação : 

Por uma semana de trabalho o professor percebe R$250,24; a diarista que cobra R$80,00 atinge a quantia de R$399,90 e aquela que cobra R$100,00 percebe R$499,80.

Seguindo o raciocínio para valores mensais temos : R$1000,96 recebido pelo professor; o valor de R$1599,60 recebido pela 1ª diarista e o valor de R$1999,20 recebido pela 2ª diarista.

No entanto você pode argumentar que a semana do professor equivale a 16h; enquanto que a semana da diarista equivale a 30h, e proporcionalmente o professor trabalha menos e ganha mais. No entanto, eu apresento apenas 3(três) contra-argumentos básicos : que a diarista NÃO leva trabalho para casa; que desempenha um trabalho estritamente MECÂNICO e que o RESULTADO do seu trabalho NÃO está vinculado a terceiros.

No caminho do óbvio, ninguém vai até a casa de ninguém para convidá-la(o) a ser diarista ou professor(a), a opção é pessoal e fruto das vivências e suas consequências. Ambas requerem investimento; no entanto, como atividades laborativas as similaridades terminam aqui. 

Eu explico.

A diarista, assim como inúmeras outras atividades remuneradas existentes, é uma profissão. Já atividade docente é uma carreira, e esta É a diferença que conduz todas as mensurações e comparações entre a atividade docente e as inúmeras outras atividades profissionais existentes.

Como carreira, a atividade docente pressupõe galgar níveis e funções dentro do organograma da instituição (no caso a SEEDUC/RJ); também pressupõe o reconhecimento e incentivo para que o professor possa, ainda na meia vida do serviço ativo, buscar complemento à sua formação (pós-graduação) a fim de manter um elevado nível como quadro funcional. Assim, dentro da perspectiva de carreira funcional, o professor que inicia a carreira vislumbraria até onde poderia chegar e como chegaria, sem o "auxílio" de apadrinhamentos e outros "jeitinhos". Não que eu acredite que o secretário de educação estadual deveria ser um professor da rede; mas seria ideal que assim fosse. A mim, dentro da visão que exponho, bastaria que TODAS as funções abaixo do secretário estadual fossem exclusivas da carreira docente. Mas este é um assunto para um outro post.

Retomando. O trabalho da diarista, o docente faz de imediato. Mas, o trabalho do docente a diarista é incapaz de fazer imediatamente, sem que antes tenha de passar por 4 (quatro) anos de graduação, concurso público e constante reinvestimento no seu capital cultural. Com isso não estou afirmando que a atividade docente está acima das outras, e o professor SEJA um ser etéreo acima do normal humano; mas é inegável que a docência é uma das atividades que mais exigem conhecimento do humano, o que torna o professor capaz de atitudes surpreendentes - monásticas, quase etéreas - principalmente quando a questão envolve a violência escolar em todos os seus aspectos (se tomarmos a reação comum das pessoas diante de certas situações já típicas do dia a dia na escola). Isso tudo sem contar o uso frequente de sabedoria. Não estou fazendo referência a inteligência, é sobre sabedoria mesmo, aquela que se adquiri através do conhecimento do humano; do trato consigo mesmo e com os outros.
Nós, docentes, vivemos intensamente a sociedade e tendo a percepção de suas transformações (avanços e recuos) no médio e longo prazos, sofremos com a angústia de assistirmos a estagnação e ao aumento dos recuos, representados principalmente na depreciação da atividade docente (seja através de (des)políticas públicas; de curriculos questionáveis nas instituições de ensino superior ou através da supressão de conquistas alcançadas sob muitas lutas dos professores). E, diante de um quadro tão pouco promissor a atividade docente, em pouco tempo, estará na condição cúmplice e ferramenta de um crime contra a sociedade atual (e as gerações vindouras); pois a docência deve ser defensora de uma educação pública de qualidade para todos, e não para poucos - ou alguns - como os sinais inequívocos ao horizonte fazem sugerir. 

É levando em consideração essas implicações que a comparação deve ser feita, e que o problema não é o valor percebido mensalmente pela diarista (R$1599,60 ou R$1999,20 p/mês dependendo se cobra R$80,00 ou R$100,00 respectivamente); mas que o professor é quem recebe um salário aquém (incompatível) - R$1000,96 - com a sua formação e para as implicações do seu trabalho na sociedade.

Entenda,  que se a diarista faz seu trabalho com falta de zelo (ou faz mal), ela perde um cliente ou é chamada a refazê-lo, e a vida segue. Se você (ou alguém) perde (ou não pode mais pagar) a diarista você passa a fazer o que antes ela fazia na sua casa/apartamento, e a vida segue.

Entretanto, o docente quando faz mal o seu trabalho as consequências se refletirão em uma vida e em uma geração inteira; pois um aluno mal formado - no mínimo - será mais um peão a ser manipulado pelo "estado das coisas como estão".

Da mesma forma, se a escola perde um professor (e não há como algum outro fazer GLP) o pai ou o diretor vai para sala de aula ? Não. Sabemos que não. A vida segue; mas a vida escolar do aluno sofreu uma "sutura" em alguma disciplina (e a nota aparece), não é?

Por isso é importante que o professor tenha a real medida da importância do seu trabalho; pois se não a tem, se submete. E "rasga seu diploma", e abdica de valores tão caros a atividade docente. Submetendo-se, sem questionar, o professor assume a cumplicidade com os interesses que são contrários ao conceito de educação em uma sociedade que avança (que não fica estagnada ou entra em recuos crescentes) nas garantias de uma educação pública de qualidade para todos em todos os níveis.

Finalizando, não podemos deixar de pontuar (mais uma vez) que o trabalho do docente é permeado por instâncias e condições que fogem a sua alçada, e que por isso é tão importante, quanto vencimentos compatíveis com as atribuições, dotar o professor (através da escola) dos meios materiais e humanos necessários para ele bem desempenhar suas atribuições. Do contrário, é culpabilizar o professor e tornar a discussão superficial e maniqueísta (ganho mal por isso trabalho mal - pagaria bem se trabalhasse bem), onde o professor vira bode expiatório e justificativa para a implantação de políticas ditas avançadas; mas que na verdade avançam rumo ao retrocesso.

Post Scriptum :

Para aqueles que NÃO entenderem o post : Pelo visto você está tentado a trocar de ramo, não é ? Peço somente que avise-me pois quero contratá-lo(a). Seria um "luxo" ter um(a) diarista graduada (ou até mesmo pós-graduada). Rsrsrs....

Para aqueles que entenderam o post : a charge abaixo resume a importância social do professor.













Visite :
http://professordoc.blogspot.com.br/2012/08/secretarioeconomista-risoles-nao-sabe.html






         

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