quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

SE JÁ NÃO BASTASSE SOPA e PIPA...


A ação contra os produtos considerados violadores do direito de propriedade intelectual chegou, também, ao campo diplomático, pois um acordo comercial chamado Anti-Counterfeiting Trade Agreement ou ACTA (Acordo Comercial Anti-Falsificação) foi assinado entre os países membros do NAFTA, a UE, países da Oceania e Japão visando eliminar a circulação de produtos que não pagam patentes no mundo.


Entre os produtos relacionados pelo ACTA estão os remédios e tal situação já começou a provocar ranhuras nas relações comerciais entre países, pois países como Brasil, Índia e China alegam ilegitimidade do ACTA porque o acordo propõe classificar como crime – e não mais somente uma “desvio de conduta comercial” - a produção, distribuição e comércio de produtos considerados piratas.


A questão central em relação aos remédios são os chamados medicamentos genéricos, e a permanência destes produtos na lista do ACTA poderá causar uma ampliação de epidemias nos países mais pobres do continente africano, sudeste asiáticos e da centro américa que utilizam diversos medicamentos genéricos (patente quebrada).


Calcula-se que os produtos considerados pelo ACTA como ilegais movimentam cerca de US$ 250 bilhões anuais, e que a maioria deles está atrelada a organizações criminosas transnacionais.


O Brasil já sofreu um prejuízo recentemente quando uma encomenda de remédios (de patente quebrada) feita aos laboratórios farmacêuticos da Índia foi retida na Europa porque o detentor da propriedade intelectual do medicamento – um laboratório farmacêutico europeu - solicitou a retenção do carregamento. O governo brasileiro alega que o ACTA não tramitou no âmbito da OMC, que é o fórum legítimo para acordos de comércio de âmbito mundial.


Até o momento, dos chamados BRICS somente Brasil, Índia e China levantaram suas bandeiras, enquanto Rússia e África do Sul observam. Ou seja, ainda não há uma movimentação em bloco para ser um contraponto ao ACTA. Resta saber, também, qual será a posição do MERCOSUL.
Aguardemos as cenas do próximo capitulo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O seu comentário passará pela Moderação e Não esqueça o seu e-mail para contato!