
Outra “alucinação”,...perdão !! Avaliação da SEEDUC/RJ diz respeito ao índice de adolescentes grávidas na escola. Pasmem ! Se a escola computar um certo número de alunas adolescentes grávidas, a escola perde pontos por isso (bolinha amarela ou vermelha), é mole ?
Olha, entendo que a escola educa para o convívio social e auxilia a educar para a vida; mas a função principal de educar para a vida é dos pais ou responsáveis dessas adolescentes que tenham engravidado – a despeito de toda gama de informações contraceptivas colocadas à sua disposição (na escola, na mídia e em seu círculo íntimo) e do seu parceiro, principalmente se este também for um adolescente que freqüenta escola. Logo, por que a escola deve ser penalizada pelo descuido ou até opção de engravidar da aluna adolescente?
Ok, vamos exercitar a minha pretensão de que alguém da SEEDUC/RJ passe por aqui, leia, reflita e leve a sugestão: Que a escola cadastre todas as alunas adolescentes e as insira em um ciclo de palestras na escola – no contraturno – com profissionais de saúde visando reafirmar a importância dos métodos contraceptivos e do sexo seguro. Posto isso, se uma dessas alunas adolescentes engravidasse e se fosse confirmado – a partir da contagem das semanas de gestação – que o fato ocorreu após o tal ciclo de palestras, aí sim a escola sofreria a “punição” (ainda assim injusta). Fora isso, é superestimar o papel da escola na vida pós-aula dos alunos. Não generalizo, mas 60% deles não valorizam as informações referentes a sua vida escolar imediata (matérias de prova, exercícios, pesquisa escolar...) que dirá de informações que a escola não pode transformar em “cobrança” para avaliação escolar.
Resumo da ópera, as últimas ações do governo – com a implantação da GIDE– demonstram a intenção de continuar culpabilizando a escola e o professor. Da primeira tira-se a autonomia, que foi uma das conquistas significativas do setor educacional. Do segundo, como não foi possível tirar – ainda – a dignidade, segue-se com a política do desprestigio, o que na verdade só reflete a incompreensão por parte do governo do papel da educação na formação do cidadão e da importância do professor como elo de ligação entre a sociedade que temos e aquela que queremos – se bem que a esta altura do campeonato acredito que eles querem é isso mesmo, o caos !
Enfim, a educação deve ser um valor para o aluno assim como se espera que sejam a honestidade, a solidariedade, a lealdade, a justiça, a igualdade e outros mais. Não adiantam ações embelezadoras do tipo instalar aparelhos de ar condicionado sem que as salas de aula recebam cadeiras novas. Ou ainda instalar computadores nas salas em mesas ergonometricamente inapropriadas para tal uso; Não adiantam cartões eletrônicos para os alunos, se o professor ainda terá que confirmar a presença desse aluno realizando uma chamada “on-line” perdendo precioso tempo de aula – aqui cabe outra crítica - porque na verdade a “chamada eletrônica” nada mais é do que uma forma de controlar a presença do professor em sala; pois se do contrário fosse, bastaria instalar no interior das salas de aula um outro aparelhinho (igualzinho aquele que recarrega os cartões dos alunos no corredor).
Outra medida contraproducente adotada pela SEEDUC/RJ (e que reflete nos números apresentados na GIDE como baixo rendimento, evasão, reprovação) é insistir na idéia de salas lotadas de alunos. São notórios os casos de turmas com 40 a 48 alunos freqüentando, o que torna a aula do professor uma “concorrente” com as conversas paralelas e outros artifícios adotados pelos alunos. A questão aqui não é controle da turma pelo professor, a questão aqui é falta de conhecimento ou simples descaso com o fazer pedagógico do professor, pois sabemos que existe uma “dispersão natural” por parte dos alunos; mas isso é perfeitamente controlável em uma turma de 30 alunos. Já em uma turma de 40 ou mais alunos, o sucesso no controle beira as raias do confronto, da imposição, do autoritarismo, do monólogo, intolerância e da ameaça que são valores e situações inapropriadas para serem exercitadas em uma escola que se pretende formadora de cidadãos. Então, a sugestão que fica é por que não limitar o quantitativo de alunos por turma a um número producente? Um número que esteja de acordo com a realidade da escola e que considere a relação ensino-aprendizagem muito negligenciada por estes tempos. Que número seria esse, eu não sei. Mas tenho certeza que não é aquele passa de três dezenas.
Diante do que foi relatado na PARTE 1 e PARTE 2, fica a questão do que se esperar de uma rede escolar que foi posta às moscas, que não sejam índices pífios na avaliação nacional?
Ainda, o que se esperar dela que não sejam alunos desmotivados, com baixo rendimento escolar e apatia diante do futuro “promissor” que os governantes insistem em levar ao ar em campanhas publicitárias e entrevistas na mídia (geração de empregos, realização de eventos mundiais, país como potência econômica...).
O que se esperar dela que não sejam docentes também desmotivados e insatisfeitos, pois são diariamente feridos pelas condições impróprias de trabalho (precarização mesmo!!!), desrespeitados por alunos, pais de alunos e pelo próprio governo - que insiste em reduzir o fundamental trabalho do professor a uma ação de menor importância para a sociedade.
Não queremos propaganda com musiquinha bonitinha, nem ações mascaradoras da realidade. Queremos reconhecimento, condições de trabalho e respeito do governo pela nossa formação !!! Queremos esse respeito sendo revertido em proventos compatíveis com aquilo que nos é exigido pelo Estado e pela sociedade; pois fazemos por merecer. Eis aí a verdadeira valorização da tão falada meritocracia.
Leia a postagem anterior : PARTE -I
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