"(...) Quando a “escola se apodera e assume suas ideias, aumentando o grau de autonomia”
A retirada da autonomia da escola e a burocratização da coordenação pedagógica das escolas (elo entre docentes-direção e escola-responsáveis e um dos pontos vitais para o sucesso da proposta pedagógica da unidade) SEMPRE foram alvos das minhas críticas aqui no blog, bem como nas conversas com outros colegas. Por vezes eu tinha até a impressão que, de tanto focar no assunto, eu havia me tornado um chato.
Pois bem, recentemente, o jornal EXTRA publicou matéria na qual um levantamento feito pelo MEC apontou que escolas com maior autonomia alcançam maiores e melhores índices, do que aquelas que não gozam de tal condição.
Olha pessoal, nada contra a prerrogativa que o gestor do sistema de ensino (no caso do Estado do RJ, a SEEDUC/RJ) tem estabelecer parâmetros a serem seguidos, conteúdos a serem ministrados e índices a serem atingidos. O que eu sempre achei tosca/errônea/equivocada foi a dinâmica estabelecida pela SEEDUC/RJ para a implementação destes parâmetros; pois um órgão que "largou de mão" a condução da educação estadual, de forma que essa ausência fosse sentida como descaso por parte do seu principal corpo de funcionários - aqueles que desempenham a atividade fim da secretaria -, o corpo docente, no mínimo deveria estar mais aberto ao diálogo com os professores; resguardar direitos conquistados pelo setor educacional (a autonomia da escola É um deles) e promover a fluidez na disseminação das experiências de sucesso entre UE's (mesmo entre aquelas de diferentes regionais).
Mas, notamente, o caminho escolhido não foi o mínimo esperado. Ao contrário, optou-se pelo monólogo; pelo atropelo de conquistas e pelo engessamento da atividade docente; pois o foco É o quantitativo e NÃO o qualitativo.
No entanto, quando ocorre a divulgação de um levantamento como o que consta no jornal, e feito por um órgão federal (teoricamente um dos mais interessados nas melhorias do índices da educação por conta das implicações em IDH; repercussão mundial e justificação de investimentos feitos; etc.) e não por uma ONG ou agência estrangeira, confirmando as nossas análises e corroborando os argumentos por nós defendidos é de fundamental importância que se faça o registro. Pois assim, aqueles que nos acusam de utópicos, de quixotescos e desconectados com "a realidade da educação do séc.XXI" terão estampados em sua face a superficialidade de suas análises; o tecnicismo de seus discursos, a frieza de seus métodos e a miopia de sua visão. Ainda, a publicação do estudo referenda o conceito de que a AUTONOMIA da escola É, também, combustível para que o trabalho docente seja desempenhando visando suprir as demandas e carências da unidade, dando a ela (ou resgatando) sua própria identidade; e que por - natural - consequência contribuírá para toda a rede estadual, que É plural (e não essa massa plasticamente uniforme sem as características regionais e locais como vem sendo estabelecido).
Não perdendo a oportunidade, recentemente a SEEDUC/RJ efetuou o pagamento da premiação refente a GIDE-2011. Inúmeras queixas e murmúrios ecoaram na rede. Não tiro a razão dos queixosos e indignados. Entretanto, aproveito e faço uma exortação aos que creram e não receberam (eu nunca acreditei e também não recebi). Busquemos e Lutemos pela manutenção da autonomia da escola. Ela é a via que PODE garantir, inclusive, a premiação tão desejada por vós.
Eu explico.
Como afirmei acima, no início do texto, e reitero agora, nada contra ao estabelecimento de metas a serem atingidas. No entanto - e buscando a ligação com o parágrafo anterior - tais metas seriam muito mais justas e tangíveis se estivessem conectadas com a realidade de cada unidade escolar (pois bem sabemos que são muitas as discrepâncias entre uma escola central da região metropolitana e uma outra unidade do interior do Estado). Ou seja, a escola deveria primeiro superar a sí mesma, sempre ultrapassando seus índices anteriores; assim haveria o estímulo para que se buscasse a melhoria constante a partir de suas demandas individuais (da própria escola). Isto por si só já garantiria uma porcentagem da premiação. Posteriormente, em um movimento naturalmente ascendente a unidade chegaria aos índices maiores e à índices estabelecidos em pradrões nacionais e internacionais, o que garantiria maior porcentagem na premiação. Lembrando que a AUTONOMIA seria fator primordial para o processo (fundamental encarar que seria um processo; e não uma ação estanque. Somente carros esportes vão de 0 à 100 em um curtíssimo espaço de tempo).
Fica aí a sugestão para que vocês disseminem entre os seus e transformem em reivindicação, porque as regras de 2011 não contemplaram vocês.
No mais, seguem abaixo link's : da matéria do jornal EXTRA e do blog onde tomei conhecimento do assunto (visitem).
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