A Lei Contra a Pirataria Online (Stop Online Piracy Act – SOPA) juntamente com a Lei de Proteção a Propriedade Intelectual
(Protection Intellectual Property Act – PIPA
ou IP Act) que foram apresentadas
no congresso dos EUA - sob o interesse dos grandes estúdios, gravadoras e
detentores de propriedade intelectual do mundo da informática e do
entreterimento - visando eliminar o
“desrespeito e abuso” contra o direito de propriedade intelectual. Apesar de
ser uma lei estadunidense ela acaba tendo alcance mundial por conta de suas
implicações, e uma das principais está no fato de que grande parte dos
provedores que abrigam conteúdos na internet está no território dos EUA ou são
de empresas com sede naquele país.
Assim, PIPA e SOPA estão para
liberdade na web assim como a Lei
HELMS-BURTON está para o embargo econômico a Cuba. Dentro dessa visão, percebe-se
a máxima do “eu não quero e por isso ninguém vai fazer”.
Mas onde é que EU professor da SEEDUC/RJ me encaixo
nesse “balaio de gatos” ?
Simples. Apesar de inicialmente darem a impressão de
estarem focadas na pirataria comercial, tanto SOPA quanto PIPA acabam
atingindo VOCÊ professor na medida em que você busca mediar o
ensino-aprendizagem com a utilização das mídias. Ou seja, criar pequenos web vídeos educativos a partir
de filmes, seriados ou documentários; criar
podcast´s utilizando
vozes, passagem sonoras de filmes,
seriados ou canções para enriquecer suas aulas está sob ameaça por conta das
citadas leis, principalmente se você publicar
na web as suas “adaptações” a partir da obra original registrada.
Portanto, não será mais legal – no sentido da
lei mesmo – publicar paródias, adaptações e re-autorias via redes sociais (flickr,
orkut, myspace, tumblr, scrapcity, youtube, facebook...) ou blog´s (blogger, wordpress...).
E o que é pior, nem sequer o registro audiovisual de um projeto desenvolvido
com os seus alunos que tenha como fundo musical uma obra registrada será
permitido. Pois o uso da música de fundo será considerado uma violação
(pirataria é o nome!) aos direitos de propriedade do detentor da obra. Com isso
e visto a situação posta no parágrafo inicial, o provedor que abriga o seu
endereço eletrônico não permitirá o upload
do videozinho do seu projeto com os alunos pelo simples motivo de que ele (o
provedor que abriga o seu endereço) não quer
ser enquadrado pelos termos de PIPA
e SOPA
e ser acusado de dar suporte e
difundir material considerado pirata por conta da propriedade intelectual.
Até ontem a tramitação de ambas
as leis (SOPA e PIPA) no congresso estadunidense estava congelada. Como é ano de
eleição presidencial por lá, tanto democratas quanto republicanos decidiram puxar
as rédeas de seus congressistas. No entanto, um grande doador para campanha
presidencial – a associação dos grandes estúdios de Hollywood – já anunciou a
intenção de cortar a doação para a campanha de Obama, caso o atual governo não
apoie as ações no congresso. Mas nem por isso os republicanos soltaram fogos,
pois sabem que a rejeição aos dois projetos em tramitação é composta também por
eleitores republicanos.
A batalha pelos corações e mentes
dos internautas pode tomar ares de uma cruzada global, pois membros de uma
associação sueca, que cultua a liberdade de difusão do conhecimento na web, receberam
do governo daquele país autorização para oficializar a sua atuação como uma
igreja. O nome é igreja do copismo.
Isto mesmo, CTRL+C, CTRL+V!
Vou sugerir a escolha de um
brasileiro para ser o santo padroeiro da nova igreja, o são Chacrinha (Abelardo Barbosa) que fez a célebre sentença : “Na televisão nada se cria, tudo se copia”.
É claro que realizando uma pequena
adaptação...Teríamos : “Na internet nada
se cria, tudo é re-autoria”. Sábias palavras do velho guerreiro.
Aguardemos
as cenas do próximo capitulo.

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