sábado, 25 de fevereiro de 2012

DISCUTINDO A RELAÇÃO (Mas sem crise. Só conversa)


Olá pesssoal !
 Gostaria de fazer algumas considerações sobre o caminho tomado pelo blog, o motivo e também se o blog deverá continuar no mesmo rumo. Realmente preciso tratar disso com vocês para que a coisa não se torne um fantasma lá na frente.
 Pois bem, a questão é que quando criei o blog a proposta era trabalhar temas ligados ao fazer do professor. A ideia era tratar das questões ensino-aprendizagem e de tudo aquilo que diz respeito (dentro da medida do possível) ao cotidiano do docente - desafios, experiências de sucesso, propostas de projetos, etc. No entanto, aos poucos o blog foi dando uma guinada para abordagens muito mais voltadas para o contexto da implantação da nova política para a educação da SEEDUC/RJ que, diga-se de passagem, destruia (destruiu) a autonomia pedagógica das escolas, burocratizava (burocratizou) a coordenação pedagógica das unidades, desconsiderou (desconsidera) a diversidade do corpo discente da rede ao atropelar as particularidades regionais desse mesmo corpo, instituiu um sistema de meritocracia que mais desestimula do que motiva aos docentes, impõe condições de trabalho ao professor que caracterizam uma precarização do fazer docente, além de outras questões que já conversamos e que sabemos existir.


Por conta disso, as postagens no blog foram ficando cada vez mais distantes da proposta inicial e até, em certo sentido, diferentes do enunciado do blog: “Só pode Ensinar Quem Gosta de Aprender”. É claro que eu percebia isso, mas se fazia mais urgente utilizar o canal como mais um espaço para a difusão de reflexões sobre o momento por qual estava passando (e continua a passar) a rede pública estadual de ensino.
Talvez se eu não tivesse um enorme respeito e admiração pela docência e por tudo aquilo que ela representa na formação de uma nação, eu teria mantido a proposta original; mas eu respeito muito pessoas que se realizam no sucesso de outras pessoas.
Sim. O professor é o único profissional que se sente realizado quando toma conhecimento que seus alunos (ou ex-alunos) obtiveram sucesso na vida.
Vocês sabem disso. E é isso também que nos move... Que nos dá impulso porque percebemos sempre que sim, é possível. Por isso trabalhamos com a vontade de aumentar o número de possibilidades em sala de aula para que elas se tornem certezas, e com isso exemplos para os que virão depois.
E não há nada de sacerdotal ou de utópico nisso. É apenas mais uma característica da profissão.
Retomando, ficaria difícil para mim diante de tudo o que estava (e está) ocorrendo na rede, falar durante as aulas sobre a ideia de democracia, cidadania, sobre revolução francesa, democratização brasileira, sobre primavera árabe e outros tantos temas ligados à luta pelo direito de exercer direitos se EU não exerço o meu direito de discordar, de manter os direitos conquistados.

Corrijam-me se estou enganado, mas uma das propostas da LDB é ou não é educar para a cidadania ? Então como posso eu educar para a cidadania se eu mesmo não sou um cidadão ? Como posso eu falar sobre uma coisa que eu não vivo, não sinto e não conheço? E o que é pior, como posso ficar calado diante da destruição de um direito (direito de exercer direitos e direito a uma educação pública de qualidade) conquistado por aqueles que vieram antes de mim e suaram, choraram, sangraram e até morreram para que eu tivesse esses direitos na atualidade. E então ?


Por conta dessas reflexões meus amigos, o blog guinou.


Sabemos que o fazer docente não se alimenta e se faz unicamente do campo das ideias, das teorias e das práticas ortodoxas. Ele se faz também pela experimentação, pela inovação, pela originalidade, pela motivação, pelo estimulo e por tudo aquilo que oxigena e dá vida ao professor (e aí e uma questão pessoal).


Assim, seguindo esse entendimento, eu não teria como me afirmar professor de História se eu ignorasse o momento pelo qual a rede passa. Meu oxigênio está também em educar pelo exemplo, em mostrar aos meus alunos o poder das ideias e da organização em sociedade; mas também que as ações tomadas têm consequências e que se deve arcar com elas, e que, portanto os atos devem ser fruto de sérias reflexões e para tal é necessário boa leitura do mundo em que se vive. E onde se consegue isso ? Na escola, é essa a resposta que dou a eles.
No entanto, também não posso simplesmente abandonar um projeto que considero tão bacana como é o de disponibilizar um canal para trocas de experiências, divulgação de práticas que deram certo, sugestões e principalmente APOIO aos novos docentes, até porque a SEEDUC/RJ simplesmente os joga “aos leões” quando são convocados – isso explica, em parte, o grande número de pedidos de exoneração de novos docentes da rede.
Com alguns colegas eu já havia tocado no assunto bem no início do blog, e com outros até tratei recentemente sobre a ideia. Também sei que existem alguns blog´s que já trabalham essa questão, mas cada blog tem seu estilo e sempre cabe mais um na web, não é mesmo  ? (Rsrsrrs...)

Finalizando, gostaria de pedir uma sinalização de vocês (via comentário, e-mail, tel,...) se mantenho a linha atual ou retomo a ideia original. No entanto, gostaria de frisar que a linha original necessita de muita interação de vocês com o envio de planos de aula, projetos, registros audiovisuais (enquanto SOPA e PIPA estão na “geladeira”, é claro) de experiências interessantes, depoimentos, sugestões de leituras, de outros blog´s, enfim material para disponibilizarmos na web para os novatos, e para nós mesmos.

Então aguardo vocês.

P.S.: Espero que tenham gostado do video Educatrix, pois Continuarei buscando formas de tratar de coisa séria com paródias porque acredito que uma abordagem debochada de um tema sério ajuda a divulgá-lo e promove a descontração que também levanta o moral.

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