domingo, 26 de junho de 2011

A vontade de alguns Não É maior que a Apatia da Maioria


Observe o quadro ao lado. Podemos perceber a figura de um homem que aparenta cansaço, certo estresse e introspecção. O quadro também sugere a chegada recente de uma atividade laboriosa (pela posição na cadeira, a vestimenta marcada e desalinhada buscando conforto, além de outras peças do vestuário dispostas aleatoriamente). Apesar disso, não notamos apatia ou sujeição. Mas é certamente a expressão de um homem cansado pela batalha (seja ela cotidiana ou belicosa). O quadro retrata Napoleão Bonaparte.

Napoleão Bonaparte foi para uns o bem e para outros tantos o mal. No entanto, o que há de consenso é que ele permaneceu fiel aos seus conceitos, o que por vezes o conduziu à grandes vitórias político-militares, quanto à derrotas no mesmo campo.

Quando reconheceu sua derrota militar para as forças da coligação (que mais tarde iniciariam o movimento de Restauração por toda a Europa do século XIX), ele negou-lhes o triunfo final no campo da política. Pediu asilo político a Inglaterra (que apesar de integrante da coligação lutava contra a França napoleônica por outras questões, e não necessariamente pelos mesmos interesses da nobreza continental européia) demonstrando, mais uma vez, sua capacidade como estrategista e fazendo valer uma das suas célebres frases:

”Um bom general não é somente o que conquista vitórias em batalhas, mas também aquele que sai em retirada quando vislumbra a possibilidade de uma fragorosa derrota”.

Acertou Napoleão, pois se assim não o fizesse perderia a sua dignidade, terminaria aprisionado e executado publicamente, dando aos seus adversários não somente a vitória militar, mas também, e principalmente, a vitória final no campo da política e da moral.

Napoleão criou Napoleão ao autocoroar-se em Notre Dame dispensando a intermediação papal. Napoleão mitificou Napoleão ao pedir asilo evitando cair prisioneiro da nobreza continental, optando assim por outra frente de combate dando “nova vida” ao seu nome perante aos seus inimigos. Tornou-se um mau exemplo a ser seguido na Europa e a ser temido pelas monarquias continentais, e isto pode explicar a restauração. Ou seja, o medo de novos “Napoleões” pelo continente.

Em outras palavras, Napoleão Bonaparte caiu; mas caiu atirando.

Trazendo para a nossa atual conjuntura, primeiro é preciso explicar que o idealizador do blog NÃO se considera ou tem qualquer tipo de pretensão que faça ligação entre seus atos e pensamentos aos de Napoleão Bonaparte. O imperador dos franceses aparece apenas como uma referência e incentivo ao grupo mais combativo de docentes de uma das escolas onde o idealizador do blog está lotado.

A idéia é apresentar aos colegas que existem outras frentes de combate por uma educação de qualidade e respeito ao docente;

  • Que esgotadas as possibilidades de permanecer em uma frente, sempre há a oportunidade de reagrupar e redirecionar esforços em outro flanco do inimigo;
  • Que é apesar das necessidades serem as mesmas, a conjuntura por vezes atua ora como apoio ora como obstáculo para a suprir tais necessidades e, portanto é preciso capacidade de reflexão sobre a realidade que se apresenta;
  • Que a nossa DIGNIDADE está naquilo que fizemos, fazemos e faremos no espaço destinado às transformações de mentalidades (que é a sala de aula), onde a nossa autocrítica – que é exigente, severa e até implacável – serve como juiz da nossa conduta;
  • Que a vontade de alguns NÃO sobrepuja a vontade da maioria, e que por essa verdade podemos deitar a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos; pois fizemos aquilo que esteve ao alcance fazer;
  • Que a escola NÃO é formada por alguns; mas por todos (ou no mínimo a maioria);
  • Que NÃO temos procuração da totalidade da escola por mais justa que seja a causa;
  • Que devemos continuar sendo "maus exemplos" em um contexto de inversão de valores;
  • Que, guardadas as devidas proporções de tempo-espaço-problema; mas conservada a humanidade, se Napoleão mostrou cansaço com a luta, quem somos nós para não sentirmos o mesmo;
  • Que devemos seguir o exemplo napoleônico de continuar atirando.

2 comentários:

  1. Iai Cláudio,
    Excelente essa relação que vc fez entre Napoleão e Os Educadores. Na realidade sinto que os professores esperam que a mudança no sistema educacional brasileiro venha dos políticos, quando na realidade quem tem o poder de mudança somos nós, que devemos nos unir, lutar, incomodar, manter um discurso uno e como falamos aqui na Bahia: "temos que quebrar o pau" se possível for.
    Posso te dar um exempo claro: "O fim do Carlismo (ACM) aqui na Bahia"
    O predominância de Antônio Carlos Margalhães terminou graças aos trabalhos de muitos anos realizados pelos professores, classe maltratada pelo sistema.
    Me recordo quando moleque que os professores nutriam um discurso de reprovação ao domínio carlista e o resultado não foi outro: o carlismo acabou na Bahia e o mais importante é que não acabou pelo fato de Antônio Carlos Magalhães ter falecido, mas sim pela reprovação nas urnas. Isso é uma fantástica demonstração do poder da educação!

    Acho q m alonguei demais rsrsrs

    Era só...
    Parabéns pelo Blog!
    Estaremos acompanhando sempre que possível!

    Abração e Sucesso!

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  2. Olá Hermes Júnior !!

    É um prazer recebê-lo aqui no espaço "Só pode Ensinar que Gosta de Aprender". Espero outras visitas.

    Sobre o carlismo, foi realmente uma demonstração grandiosa do povo baiano e mais, entre tantas, que esse povo dá ao país desde a época da colônia.

    Forte abraço.

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